Braskem de Teatro entrega cinco troféus a montagens que tiveram apoio da FUNCEB/SecultBA

“Uma Vez Nada Mais”, contemplado pelo edital Manoel Lopes Pontes, venceu a categoria principal: Melhor Espetáculo Adulto. Projeto Mestre da Cena com Harildo Deda na “Última Sessão de Teatro” ficou com o prêmio de melhor ator.

A 17ª edição do prêmio Braskem de Teatro entregou ontem os troféus de reconhecimento aos espetáculos e artistas que mais se destacaram nos palcos de Salvador em 2009. Os vencedores das oito categorias – “Espetáculo Adulto”, “Espetáculo Infanto-Juvenil”, “Direção”, “Ator”, “Atriz”, “Texto”, “Revelação” e “Categoria Especial” – foram conhecidos em cerimônia realizada no Teatro Castro Alves. Uma Vez Nada Mais, dirigido por Hebe Alves, conquistou o prêmio principal e também deu a Aicha Marques o título de melhor atriz do ano. O espetáculo foi montado com apoio do edital Manoel Lopes Pontes – Apoio à Montagem de Espetáculos de Teatro, da Fundação Cultural do Estado da Bahia – FUNCEB, unidade vinculada à Secretaria de Cultura do Estado da Bahia – SecultBA.

Ao todo, os espetáculos beneficiados pelas políticas culturais do Governo do Estado estiveram em sete das oito categorias do Prêmio e arremataram cinco troféus. Uma Vez Nada Mais, uma romântica história de amor contada do ponto de vista feminino, concorria ainda nas categorias “Direção” (Hebe Alves) e “Categoria Especial” (Brian Knave, pela trilha sonora), além de mais uma indicação à “Melhor Atriz” (Maria Menezes). A peça disputou o troféu de “Melhor Espetáculo Adulto” com outros quatro trabalhos – Shirê Obá, Joana D’Arc (estes dois também apoiados pelo Manoel Lopes Pontes), A Última Sessão de Teatro (montagem que faz parte do projeto Mestres da Cena da SecultBA) e Caso Sério.

Shirê Obá, peça inspirada na exaltação aos orixás, leva ao palco atores e músicos que tocam e cantam como nos rituais do Candomblé. Além da categoria “Espetáculo Adulto”, o espetáculo concorreu em “Revelação” (Fernanda Julia, pela direção) e levou o prêmio na “Categoria Especial” (Jarbas Bittencourt, pela direção musical). Joana D’Arc, que narra o período do julgamento e da consequente execução da mártir francesa, com dilemas e contradições do mundo contemporâneo, teve três indicações: “Atriz” (Jussilene Santana), “Direção” (Elisa Mendes) e “Texto”, da autora Cleise Mendes, que saiu vencedora. Já A Última Sessão de Teatro, uma homenagem aos 70 anos de Harildo Deda, com a história de um ator que esquece suas falas e abandona o teatro, entrou na disputa por “Texto” e “Direção” (Luiz Marfuz nas duas categorias), além de “Ator” – o próprio Harildo Deda, que foi o premiado. Outro contemplado pelo edital de montagem, Doralinas e Marias, esteve entre os finalistas da “Categoria Especial” (com Zuarte Jr., pelo cenário).

Gordo Neto, diretor de Teatro da FUNCEB, avalia: “O destaque das montagens apoiadas pela Secretaria de Cultura, através da Fundação Cultural, mostra que os artistas e produtores estão produzindo, e bem, através dos mecanismos legais disponibilizados pelo Estado”, analisa. “Esperamos que os espetáculos que venham a ser montados este ano com o apoio de editais e outras formas de fomento alcancem, também, resultados tão bons”.

Para a diretora do espetáculo Shirê Obá, Fernanda Júlia, o apoio da Fundação Cultural foi fundamental para a viabilização da montagem e também para o pagamento dos recursos materiais e de pessoal. “Para nós da Cia. de Teatro Nata, um grupo da cidade de Alagoinhas, vencer o edital foi de uma importância tamanha. As indicações ao Prêmio Braskem mostram que o interior do Estado tem artistas de qualidade, que conseguem superar dificuldades e cumprir com todos os requisitos necessários”. Fernanda aponta ainda que o intercâmbio possibilitado pelo edital foi importante para a construção da peça e para se perceber a realidade artística do interior: “É importante destacar o pensamento da SecultBA, que, ao direcionar os olhos para o interior, gera confiança e incentivo para os artistas daqui”.

A comissão de seleção desta edição do Prêmio Braskem de Teatro foi composta por Marcos Uzel, jornalista cultural; Paulo Henrique Alcântara, diretor teatral; Cássia Lopes, ensaísta; Leonardo Boccia, doutor em Artes Cênicas; e Gláucio Machado, coordenador do colegiado de graduação de Artes Cênicas da Universidade Federal da Bahia – UFBA. Os vencedores também recebem premiação em dinheiro: R$ 30 mil para as categorias “Espetáculo Adulto” e “Espetáculo Infanto-Juvenil” e R$ 5 mil para as demais.

Investimentos nas artes cênicas e vigor teatral – O Prêmio Braskem mapeou 51 montagens teatrais na Bahia, mostrando que a cena local continua em ebulição e com o apoio do Estado para a realização das montagens.

Através do Fundo de Cultura, o Governo do Estado investiu cerca de R$ 6,9 milhões nas Artes Cênicas, dando apoio a projetos de montagem, manutenção de grupos e festivais, selecionados via demanda espontânea ou seleções públicas. Só através das seleções, foram R$ 2,8 milhões de apoio a 26 montagens selecionadas por editais.

Em três anos de gestão, através do FazCultura, o valor incentivado para 40 projetos das Artes Cênicas foi de aproximadamente R$ 4,4 milhões. Receberam este apoio espetáculos como O Indignado, de Frank Menezes, Siricotico, última montagem da Cia. Baiana de Patifaria, e Os Cafajestes.

A SecultBA também realiza o apoio continuado a 14 instituições de direito privado, dentre elas, algumas voltadas para as artes cênicas, como o Theatro XVIII, Teatro Vila Velha, Teatro Popular de Ilhéus, Teatro Gamboa Nova e Fundação Balé Folclórico da Bahia.

Através da Fundação Cultural do Estado, foram lançados, entre 2007 e 2009, quatro editais na área das artes cênicas contemplando 14 projetos com investimentos de R$ 776 mil.

Com programa de oficinas técnicas do Centro Técnico do Teatro Castro Alves, a Secretaria de Cultura do Estado tem investido na capacitação do setor. Os editais de montagem do Núcleo do TCA também estão fomentando a produção artística local, com espetáculos de qualidade e propostas ousadas de encenação. Policarpo Quaresma, de Luiz Marfuz, e Jeremias, Profeta da Chuva, escrito e dirigido por Adelice Souza, foram sucesso de público e crítica. Em 2010, serão duas novas montagens: o espetáculo infanto-juvenil As Aventuras do Maluco Beleza, de Edvard Passos e Ivan Seixas, e Ocasiões, da diretora Jacyan Castilho com texto da dramaturga Cláudia Barral. Cada uma das montagens receberá o aporte de R$ 200 mil.

“Os editais são hoje a forma mais frequente usada no apoio às linguagens. O montante disponibilizado para esse mecanismo aumentou vertiginosamente nos três primeiros anos da gestão. Aos poucos, a cena baiana – que já estava morna há muitos anos – retomou o fôlego e acho que, em 2009, tivemos uma boa safra de espetáculos, o que vai se intensificar em 2010”, afirma Gordo Neto, diretor de Teatro da Funceb/SecultBA.

Confira a lista completa dos vencedores do Prêmio Braskem de Teatro 2009:
• Melhor Espetáculo Adulto: Uma Vez Nada Mais
• Melhor Espetáculo Infanto-Juvenil: Donos da Terra
• Melhor Diretor: João Gonzada, por Donos da Terra
• Melhor Ator: Harildo Deda, por A Última Sessão de Teatro
• Melhor Atriz: Aicha Marques, por Uma Vez Nada Mais
• Melhor Texto: Cleise Mendes, por Joana D’arc
• Revelação: Susan Kalik, por Pluft, O Fantasminha
• Categoria Especial: Jarbas Bittencourt, pela direção musical de Shirê Obá

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