Maio com Quarta que Dança

Neste mês, sete trabalhos de dança selecionados em edital da FUNCEB/SecultBA são apresentados às quartas-feiras

Estreada no fim de março e um dos destaques da programação de abril, quando se comemorou o Mês da Dança, a 12ª edição do Quarta que Dança, promovida pela Fundação Cultural do Estado da Bahia – FUNCEB, unidade da Secretaria de Cultura do Estado – SecultBA, apresenta sete trabalhos durante o mês de maio, na Sala do Coro do Teatro Castro Alves (com ingressos a R$ 2 e R$ 1) e ruas e praças do Centro de Salvador (gratuitamente).

Visando à difusão da dança em suas diversas vertentes e o estímulo à pesquisa e produção coreográficas na Bahia, o Quarta que Dança surgiu em 1998 e, ao longo destes anos, proporcionou a montagem de mais de 150 apresentações de variados grupos e propostas artísticas. Em 2007, as inscrições passaram a ser feitas exclusivamente via edital, em duas categorias – além dos tradicionais Espetáculos de Dança, deu-se espaço para Trabalhos em Processo de Criação, com objetivo de estimular o debate em torno dos processos construtivos. No ano seguinte, 2008, outras duas categorias foram criadas: Intervenção UrbanaDança de Rua, ampliando as possibilidades estéticas abrigadas e levando o Quarta que Dança também para as ruas da cidade.

Nesta edição, 20 trabalhos de dança foram selecionados dentre 60 projetos inscritos e se beneficiam com uma premiação total de R$ 82 mil, ultrapassando a verba concedida na edição anterior (R$ 76 mil, em 2008). Desde 31 de março e até 11 de agosto, os resultados vêm sendo apresentados neste verdadeiro panorama da produção contemporânea em dança na Bahia.

MAIO: Programação Quarta que Dança 2009/2010

.:. 05/05, na Sala do Coro do TCA, 20h | R$ 2 (inteira) / R$ 1 (meia)

Apresentação dupla de espetáculos de dança. O ingresso vale para os dois espetáculos.

– Le petit monde d’Edith, da Cie. Laffuste/Méric, de Salvador – Bahia

Categoria: Espetáculo

Uma grande emoção pode contar-se muito por um pequeno gesto: é o que defende este espetáculo, da Cie. Laffuste/Méric, que se desenrola em torno da forma como vivemos a comunicação não-verbal. Do nascimento de um gesto, que é imperceptível, visto não ser ainda um movimento, ao momento em que o corpo faz existir a ação. A intensidade variável, o olhar e o pulsar do físico são retratados como plenitude e êxtase com mulheres que flutuam e dançam. Coreografia e interpretação de Edith Méric.

– ¡Esquisito!, da Cia. Gueri-Gueri, de Salvador – Bahia

Categoria: Espetáculo

Este trabalho da Cia. Gueri-Gueri parte do significado da palavra “esquisito” (delicioso, raro, singular, refinado, primoroso, delicado, extravagante, maníaco, estrambótico) e do prazer da movimentação assimétrica, da ironia cotidiana, de depoimentos dos intérpretes e outros entrevistados, da mania de fazer caretas, duetos e trios desencontrados, do gostar de sambar, das bolhas de sabão. Unindo os diversos prazeres, surge um enredo no qual a prima ballerina amanhece, supostamente morta em dia de estreia, e ao fim é salva pelo vício por algodão doce. Direção, coreografia, figurino, maquiagem e produção são de Juana Navarro, que ainda integra o elenco formado por oito interpretes-criadores. A concepção, edição e operação de música são do DJ Mangaio.

.:. 12/05, na Sala do Coro do TCA, 20h | R$ 2 (inteira) / R$ 1 (meia)

Apresentação dupla de trabalhos em processo de criação. O ingresso vale para as duas apresentações.

Os Trabalhos em Processo de Criação são uma das quatro categorias contempladas peloQuarta que Dança. O objetivo é de fomentar a pesquisa em dança e incentivar a concepção de novas propostas e coreografias. Aqui, os proponentes apresentam suas ideias ainda em construção, colocando-as diante do público para uma troca de percepções e posicionamentos. Após as performances, Lícia Moraes e Rita Brandi, integrantes do Balé do Teatro Castro Alves, discutem os trabalhos num bate-papo com os artistas e a plateia.

– Para o Herói: Experimentos Sem Nenhum Caráter – Corpo s/ Papel, de Paula Carneiro Dias, de Salvador – Bahia

Categoria: Processo de Criação

Corpo sobre papel, carvão tatuado num papel-branco-pele, Macunaíma assuntando por linhas que viram outras escritas – mata-borrão, borrão, rascunho amassado. Como um bicho-máquina-jacaré devora o texto borrado até cair numa gargalhada silenciosa com uma mãe que só um herói pode ter! Neste universo de símbolos, a artista opta por expor informações em cena sobre o processo de criação. A intenção de Paula Carneiro Dias, performer e criadora, é de potencializar as discussões acerca do trabalho.

– Priscila Está Esperando na Sala!, de Hugo Leonardo, de Salvador – Bahia

Categoria: Processo de Criação

Sujeito e verbo, verbos e lugar, sujeito-predicado, uma situação. De onde ela nasce, não se sabe; cria-se sem muitas ideias, procurando-as, olhando-as e decifrando-as como um sonho. Esta Priscila-Situação-Coisas é colocada em cena pelo dançarino e performer Hugo Leonardo, que se pergunta se acaso (e em quais acasos) isso o diz respeito, e se ela não poderá cair alucinada sobre suas costas, batendo com uma flor de plástico.

.:. 19/05, entre a Av. Sete de Setembro e o Pelourinho, 10h | Gratuito

– Aglomerado, do Grupo CoMteMpu’s, de Salvador – Bahia

Categoria: Intervenção Urbana

Desdobrada da pesquisa Corpo-plástico-objeto-coisa (CPOC), esta intervenção urbana do Grupo CoMteMpu’s já foi realizada na cidade de Santiago de Cali, Colômbia, em 2008. A ação se dá numa procissão em prol do nada, onde um aglomerado de gente caminha reunido, gerando uma curiosidade aos outros transeuntes: por que as pessoas acompanham a procissão? Na busca de responder a esta pergunta-chave, outros se juntam à ação. Os “Zezas” – grupo responsável pela performance, com oito integrantes – entrecruzam signos e elementos da cultura local e global, chocando referenciais estéticos e políticos, o que cria uma cadeia simbólica dessacralizadora da imagem do corpo, da massa urbana, da tradição e do imaginário popular. O argumento é de Sérgio Andrade.

.:. 19/05, na Sala do Coro do TCA, 20h | R$ 2 (inteira) / R$ 1 (meia)

– Brecha, de Leo França, de Salvador – Bahia

Categoria: Espetáculo

Um corpo-grafite. As contradições e tensões de um homem encapuzado num vestido de menina. Ações de um performer editando memórias da cidade. A violência como força vital e criativa do corpo. Apropriação da linguagem videoclipada gerando fissuras na dualidade agressor/vítima, violador/violentado para provocar a potência de um corpo precário, transitório. O espetáculo foi desenvolvido no Centro em Movimento (c-e-m), em Lisboa-Portugal, apoiado pelo Edital de Residência Artística no Exterior da Secretaria de Cultura do Estado da Bahia. Direção e performance de Leo França.

.:. 26/05, na Praça da Sé, 17h | Gratuito

– Dançando na Roda as Tradições Brasileiras, do Grupo Viva a Dança!, de Salvador – Bahia

Categoria: Intervenção Urbana

De mãos dadas no círculo e em plena praça, como nas tradicionais cantigas de roda, onde o passado e o presente vão se encontrando magicamente, é hora de cantar e dançar a tradição brasileira: cirandas, danças indígenas, brincadeiras de roda, carimbó. Uma oportunidade de vivenciar tradições, percebendo a importância de preservá-las e a possibilidade de reintroduzi-las no cotidiano, como forma de expressão artística, lazer, ou mesmo como atividade física lúdica e prazerosa. Coordenação geral de Sirlene Barreto.

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