Assinados os contratos do primeiro edital de apoio a textos dramatúrgicos na Bahia

Quatro textos teatrais inéditos serão desenvolvidos através do certame

A Secretaria de Cultura do Estado da Bahia (SecultBA), através da Fundação Cultural do Estado (FUNCEB), e o Fundo de Cultura da Bahia (FCBA) assinaram com os proponentes de direito os contratos dos quatro projetos contemplados no inédito edital de Apoio ao Desenvolvimento de Textos Dramatúrgicos no Estado da Bahia. Com inscrições realizadas de 11 de maio a 29 de junho passado, o apoio foi efetivado com agilidade, após apenas cinco meses do lançamento. Voltado ao desenvolvimento da dramaturgia, o certame vai distribuir R$ 60 mil, financiados pelo FCBA, para a criação de textos teatrais originais, escritos por autores residentes no estado.

Senhora dos Infiéis ou O Fruto de Nosso Ventre, de Luis César Marfuz, será um texto ambientado na Bahia do século XVII, que vive o estertor da catequese jesuíta; abrigados numa aldeia em pé de guerra, atores representam autos para Rudá, chefe indígena, que se apaixona pela Virgem Maria, papel feito por Ana, filha de colonos, numa história de fé, paixões, exploração, negação das origens e morte.

Amor Barato, de Fábio Espírito Santo, será uma versão pop-rock da história infantil “O Casamento de Dona Baratinha”, escrita para os adultos. Nela, a fábula se passa nos tempos atuais, no submundo dos esgotos de uma metrópole brasileira, e narra a trágica história do amor impossível entre D. Ratão e D. Baratinha: ele, filho de um senador corrupto; ela, filha de um inescrupuloso megaempresário da comunicação. Fábio Espírito Santo conta que a peça surgiu pelo impulso de fazer um texto que espelhasse os tempos de hoje: “Pensei em falar da corrupção rotineira e incansável, da pedofilia, da violência barata do cotidiano, do sensacionalismo e muitos outros temas paralelos a estes, presentes no universo urbano”. Ele ainda ressalta que a criação de um edital de dramaturgia na Bahia é uma ideia salutar e bem vinda, “sobretudo porque temos uma produção considerável e de pouco espaço de desenvolvimento, divulgação e remuneração. Assim, o edital vem preencher perfeitamente esta lacuna”, analisa.

O infanto-juvenil Por Que a Gente é Assim?, de Vinicius Moraes vai contar a história de quatro adolescentes que enfrentam conflitos na construção de suas identidades, expondo ao jovem público uma reflexão sobre a formação de personalidades. Através das falas dos próprios personagens, aborda temas característicos da adolescência como sexualidade, vaidade, egoísmo, conflitos, dificuldade de adaptação etc. “A intenção é fazer uma peça onde os personagens se encontrarão muito para conversar e expor suas questões pessoais, como se a plateia estivesse assistindo a uma espécie de reality show, no qual ela também poderia estar”, conta Moraes. Apesar de ter sido elaborado há mais de dois anos, o projeto obtém com o edital a possibilidade de ampliar a pesquisa de campo do proponente com adolescentes e auxiliar a moldar melhor a narrativa, e consequentemente, a criação do texto teatral. “Eu achava que só um edital seria capaz de me dar o estímulo necessário para que eu transformasse este projeto em prioridade, e é o que de fato está acontecendo. Editais são ferramentas fundamentais para que o artista tenha dignidade de exercer sua profissão e tenha chance de ganhar visibilidade no mercado com a realização de sua obra”, conclui.

Por fim, Céu de Maracangalha, de Luciana Comin, visa elaborar um texto que fale da mudança na vida dos moradores deste distrito provocada pela queda de um avião no local, que transportava mais de R$ 5 milhões; trata-se da história de uma família simples, que se vê obrigada a testar seus próprios valores, resolver seus conflitos e enfrentar o abuso de poder e a selvageria que acompanhou a fortuna que caiu do céu.

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