Na prática dos direitos humanos, projeto cultural forma jovens da região sisaleira

Iniciativa de arte-educação é resultado de edital da FUNCEB/SecultBA e busca promover o exercício da cidadania

O projeto Dê Cordas! Formação de Grupos de Música da Região do Sisal realiza atividades musicais com crianças e jovens de povoados do município de Conceição do Coité, consolidando uma ação arte-educativa que integra a comunidade. A iniciativa é feita numa parceria entre a Filarmônica Coiteense Genésio Boaventura e a Oficina de Composição Agora (OCA) e resulta do edital Cultura e Direitos Humanos, promovido pelo Estado da Bahia através das secretarias estaduais de Cultura (SecultBA) e de Justiça Cidadania e Direitos Humanos (SJCDH), da Fundação Cultural (FUNCEB) e da Superintendência de Direitos Humanos (SUDH), com recursos do Fundo de Cultura da Bahia (FCBA).

Através da prática de música, o Dê Cordas! objetiva proporcionar a reflexão sobre a identidade cultural e de pertencimento à região do Sisal, território baiano onde se localiza, buscando condições de autosustentabilidade. Assim, tem em vista o fortalecimento da autoestima e de outros valores humanos, prioritariamente em comunidades de trabalhadores da zona rural.

As aulas, iniciadas no último dia 9 de outubro, preveem duração de 10 meses e se dividem em três módulos: aulas de música e iniciação musical, workshop de criação de bandas filarmônicas e oficina de iniciação musical através da composição. O primeiro módulo também busca formar conjuntos de flauta doce em cinco povoados de Conceição do Coité (Fazenda de Maracujá, Salgadália, Aroeira, Juazeirinho e Bandiaçu). O segundo alcança cinco cidades do Território de Identidade do Sisal e é voltado para a classe artística, produtores, políticos e agitadores culturais de Araci, Barrocas, Ichú, Retirolândia e Valente. Por fim, o terceiro módulo engloba oficinas para funcionários da Fábrica de Tapetes e Carpetes de Sisal da Associação de Desenvolvimento Sustentável e Solidário da Região Sisaleira (APAEB), em Valente.

“Nestes meses de curso, pretendemos formar 100 crianças e adolescentes capazes de ler e entender música, bem como de executar um instrumento. Criaremos também cinco conjuntos de flauta doce, um em cada povoado alvo do primeiro módulo, e cinco comissões para a Fundação de Bandas Filarmônicas, uma em cada cidade do segundo módulo, para formação e manutenção de bandas de música. Prevemos ainda a montagem de um espetáculo de bolso, com a turma das oficinas do terceiro módulo”, contabiliza Léa Rios, coordenadora do projeto Dê Cordas!. No encerramento do projeto, haverá um concerto para a comunidade coiteense com os músicos recém-formados dos povoados.

Sobre a Filarmônica Coiteense Genésio Boaventura
A Filarmônica Coiteense Genésio Boaventura foi formada em 1997, após uma comissão se unir com o propósito de fundar uma banda em Coité, além de uma escola de música para formação de músicos. Os nomes escolhidos – Filarmônica Coiteense Genésio Boaventura e Escola de Música Maestro Zé Perigo – são uma homenagem a antigos componentes da extinta Filarmônica Carlos Gomes.

Sobre o edital Cultura e Direitos Humanos
O Governo do Estado da Bahia, através das secretarias estaduais de Cultura (SecultBA) e de Justiça Cidadania e Direitos Humanos (SJCDH), da Fundação Cultural (FUNCEB) e da Superintendência de Direitos Humanos (SUDH), lançou o edital Cultura e Direitos Humanos em 2008, uma ação inédita de apoio a iniciativas artístico-culturais que promovam os direitos humanos. O certame disponibilizou um total de R$ 450 mil, mediante recursos do Fundo de Cultura da Bahia (FCBA).

Foram selecionados seis projetos (quatro da Região Metropolitana de Salvador e dois do interior da Bahia), dentre 81 inscritos. As propostas são divididas em duas categorias, de acordo com o tempo de duração. A primeira contemplou ações com duração mínima de três meses e concedeu apoios no valor de até R$ 50 mil; a segunda, projetos de pelo menos seis meses, que recebem apoio de até R$ 100 mil – categoria na qual o Dê Cordas! está inserido.

Os projetos envolvem ao menos um dos seguintes públicos: crianças e jovens; grupos e comunidades vítimas de preconceito étnico, racial, de gênero ou orientação sexual; idosos; deficientes físicos; presidiários; povos e comunidades tradicionais (catingueiros, indígenas, quilombolas, ciganos, dentre outros); e vítimas de violência física ou psicológica. As iniciativas devem ser desenvolvidas em locais como abrigos, escolas públicas, presídios ou junto às comunidades envolvidas.

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