Circuito Popular de Cinema e Vídeo celebra o Mês da Consciência Negra

Projeto exibe filmes do III Bahia Afro Film Festival na capital e no interior do estado, com entrada gratuita

Durante novembro, referenciando o Mês da Consciência Negra, o projeto Circuito Popular de Cinema e Vídeo (CPCV) promove uma mostra itinerante da programação do III Bahia Afro Film Festival (BAFF). O CPCV é uma iniciativa da Fundação Cultural do Estado da Bahia (FUNCEB), unidade da Secretaria de Cultura do Estado (SecultBA), através das diretorias de Espaços Culturais e de Audiovisual (DIMAS), e tem como proposta fazer circular, gratuitamente, mostras de cinema e vídeo em espaços culturais da FUNCEB, situados em bairros populares de Salvador e em cidades do interior baiano.

Dentro do Novembro Negro, uma série de ações do Governo do Estado pela reflexão das questões dos homens e mulheres negros na Bahia, o CPCV exibe 16 filmes (oito longas e oito curtas-metragens – ver sinopses ao final) que integraram a terceira edição do Bahia Afro Film Festival. Iniciativa da Casa de Cinema da Bahia, o evento, realizado em maio passado na cidade de Cachoeira, no Recôncavo baiano, teve como slogan “Imagine All the Afro People”, com ênfase na diáspora africana e no sincretismo cultural, no humanismo e na preservação das raízes e da ancestralidade.

A mostra itinerante, em Salvador e Região Metropolitana, vai passar pelo Cine-Teatro Solar Boa Vista (Engenho Velho de Brotas), Espaço Cultural Alagados, Centro Cultural Plataforma, Casa da Música (Itapuã) e o Centro de Cultura de Lauro de Freitas. No interior, visitará a Casa de Cultura de Mutuípe, o Centro Cultural Amélio Amorim (Feira de Santana), Centro de Cultura ACM (Jequié), Centro de Cultura Adonias Filho (Itabuna), Centro de Cultura de Alagoinhas, Centro de Cultura de Guanambi, Centro de Cultura de Porto Seguro, Centro de Cultura João Gilberto (Juazeiro), Centro de Cultura Olívia Barradas (Valença) e Teatro Dona Canô (Santo Amaro).

As datas e horários variam de acordo com os locais. A programação pode ser acompanhada através do site do Circuito Popular de Cinema e Vídeo: www.circuitopopular.wordpress.com.

Circuito Popular de Cinema e Vídeo
Exibição de 16 filmes integrantes do III Bahia Afro Film Festival
Quando: durante o mês de novembro, em datas e locais variados
Quanto: Gratuito
Informações:
www.circuitopopular.wordpress.com
www.espacosculturais.wordpress.com
www.twitter.com/circuitopopular
diretoria.espacos@funceb.ba.gov.br
71 3116-6877

SINOPSES
CURTAS-METRAGENS
“Black Berlim”, de Sabrina Fidalgo
Nelson é um jovem baiano estudante de engenharia em uma renomada universidade em Berlim. Na capital da Alemanha, Nelson leva uma vida hedonista, muito distante de suas verdadeiras raízes. Tudo muda quando ele passa a encontrar Maria, uma imigrante ilegal do Senegal. Apesar de ignorá-la, ele começa a ter visões de personagens estereotipados que o remetem a um passado que ele preferiria esquecer.

“Graffiti”, de Lílian Santiago
São Paulo é a cidade mais grafitada do mundo. O documentário acompanha o rolê solitário de Alê, em uma das semanas mais sinistras que São Paulo já viveu: dos ataques do PCC à violenta revanche da polícia em 2006.

“Mandinga in Colômbia”, de Lázaro Faria
Em novembro de 2008, dois brasileiros, um mestre de capoeira e um realizador cinematográfico, percorrem a Colômbia (Bogotá, Cartagena de Las Índias, Santa Marta, Malagana, Palanke de San Basílio Calli Buenaventura), onde registram o encontro de capoeira com as tradições afrocolombianas.

“Nego”, de Sávio Leite e Marko Ajdaric
Uma homenagem ao baiano Theodoro Sampaio, intelectual negro. Utiliza os quadrinhos como aporte visual e dramático, com destaque para a trilha sonora.

“Passagens Estreitas”, de Kelson Frost
Um homem tem à sua frente o primeiro dia de liberdade. Após o cárcere, e como escravo negro e marginalizado, não sabe como lidar com a nova realidade, pois não entende a euforia. Sente-se sozinho com o tempo perdido dentro dos muros, e sua maior alegria surge no momento da morte.

“Reconvexo”, de Volney Menezes e Johny Guimarães
Resultado de uma oficina de vídeo no Recôncavo da Bahia, documentário trata da rivalidade entre os moradores das cidades da Cachoeira e São Félix, municípios separados geograficamente pelo Rio Paraguaçu e unidos pela Ponte D. Pedro II.

“Reverso”, de Francisco Colombo
O que diferencia os indivíduos e a capacidade de resolver determinados atos.

“Rio de Mulheres”, de Cristina Maure e Joana Oliveira
Documentário sobre a rotina, a graça e a poesia de mulheres que vivem somente entre crianças e outras mulheres, em um ambiente onde a água é escassa: comunidades rurais remanescentes de quilombos, em uma região árida de Minas Gerais. Seus maridos, filhos e netos maiores de 16 anos passam a maior parte do ano trabalhando na coleta de cana em São Paulo.

LONGAS-METRAGENS
“Atabaque Nzinga”, de Octávio Bezerra
Documentário musical sobre a cultura afrobrasileira, cuja estrutura narrativa se traduz por um jogo de búzios, no qual a protagonista chega atraída pelo “chamado do tambor”, em busca do autoconhecimento. Viajando pela estrada da percussão nas locações de Pernambuco, Bahia e Rio de Janeiro, ela conhece diferentes ritmos, grupos musicais e coreógrafos, procurando sua integração na sociedade brasileira.

“Batatinha, Poeta do Som”, de Marcelo Rabelo
Um dos mais importantes sambistas do Brasil, o baiano Oscar da Penha, carinhosamente conhecido por Batatinha, é visto sob a perspectiva de seus nove filhos. Eles vão atrás das memórias do pai, investigam sua vida, história e obra, e se encontram com familiares, amigos e músicos. Ao mesmo tempo em que reúnem fragmentos que revelam a história do pai, acabam conhecendo mais sobre ele, estabelecendo também elos fraternais importantes entre a própria família.

“Benguelê”, de Helena Martinho da Rocha
Traça um panorama das origens negras da cultura brasileira. Em especial, da influência musical. Para isto, percorre caminhos como o da criação do samba, homenageando, entre outros, Clementina de Jesus. A mesma, em 1964, cantou a música “Benguelê”, criada por Pixinguinha e Gastão Viana em 1946. Sinônimo também de “saudades de Benguela”, porto angolano de onde saíram os escravos trazidos ao Brasil.

“Cantador de Chula”, de Marcelo Rabelo
O samba de roda foi declarado como patrimônio imaterial brasileiro pelo IPHAN em 2004, e como patrimônio cultural e imaterial da humanidade pela UNESCO, em 2005, fortalecendo o reconhecimento da arte de matriz africana que durante séculos tem sido reprimida e menosprezada. O filme investe na reconstrução do mosaico que representa a trajetória dos descendentes africanos no Brasil.

“Cinderela, Lobos e um Príncipe Encantado”, de Joel Zito Araújo
Viajando pelo nordeste brasileiro e pela Europa (Itália e Alemanha), discute o sonho de Cinderela de várias mulheres brasileiras que buscam encontrar um marido europeu. Muitas migram e se tornam dançarinas em apresentações de ritmos ligados ao Brasil. Sem estudo ou formação profissional, outras se transformam em prostitutas. Somente uma minoria consegue criar o seu final feliz.

“Deusa do Ébano – Rainha do Ilê Aiyê”, de Carolina Moraes-Liu
Documentário segue três jovens competindo no evento anual em que o Ilê Aiyê escolhe a sua rainha do carnaval, usando “conceitos afrocêntricos” de beleza. O filme conta com a participação da ex-secretária da Reparação Racial, Arany Santana, e do presidente do bloco afro Ilê Aiyê, Antônio Carlos “Vovô”.

“Gisele Omindarewa”, de Sueli Nascimento
Francesa de nascimento, africana por afinidade, brasileira por destino: essa é a vida de Gisele Cossad, posteriormente Gisele Cossad Omindarewa, mãe de santo que vive há muitos anos na baixada Fluminense. O documentário procura reconstruir a trajetória de Gisele através das lembranças de sua infância e juventude, num dos bairros nobres da região parisiense, até sua vinda ao Brasil.

“Trilogia do Reggae”, de Volney Menezes e Johny Guimarães
Conta da trajetória artística de Jorge de Angélica, Dionorina e Gilsam, três reggae men feirenses que consolidam seu universo musical de matriz africana. Mostra como os ritmos africanos influenciaram e influenciam o reggae. Trata das manifestações do Candomblé, cerne de questões da militância ideológica e de pertencimento contidas nas composições apresentadas, e que são frutos das vivências de enfrentamento de uma realidade adversa nas periferias das cidades grandes.

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