Liceu de Artes será nova sede da Funceb

IPAC prepara o famoso Paço do Saldanha de 302 anos para abrigar a nova sede da Fundação Cultural do Estado da Bahia no Centro Histórico de Salvador

Solar de 302 anos, originário do início século 18, com portada monumental que remete ao exuberante barroco criollo hispano-americano e arquitetura típica da colonização portuguesa na Bahia, o Paço do Saldanha, no Centro Histórico de Salvador (CHS), passará a ser sede da Fundação Cultural do Estado (Funceb) ainda neste primeiro semestre (2011). A edificação ocupa quase um quarteirão, próximo à Praça da Sé, e está situada entre as ruas da Oração, 3 de Maio, Guedes de Brito e Saldanha da Gama, os dois últimos, nomes de famílias que foram proprietárias do imóvel.

O Paço está sendo preparado através de obras do Instituto do Patrimônio Artístico e Cultural (IPAC), autarquia da secretaria estadual de Cultura (SecultBA), especializada em restauração de prédios antigos e responsável pela política pública de salvaguarda dos patrimônios culturais do Estado. Orçadas em R$ 530 mil, as obras de melhorias serão finalizadas ainda neste primeiro semestre. Segundo a fiscal do IPAC na obra, arquiteta Zulmira Correia, serão colocadas divisórias nas salas e reformadas instalações elétricas, hidráulicas e hidrosanitárias do prédio.

O diretor do IPAC informa que o Paço do Saldanha é tombado como Patrimônio do Brasil pelo Ministério da Cultura desde 1938. “De 1874 a 2007, a edificação foi ocupada pelo Liceu de Artes e Ofícios, entidade sem fins lucrativos que qualificava operários para o mercado de trabalho”, explica Mendonça. A entidade oferecia ensino prático e teórico, principalmente de formação humanística. “Eles se baseavam nas experiências anteriores do Rio de Janeiro e nas escolas de artes e ofícios francesas, criadas nos séculos 18 e 19”, diz o diretor do IPAC.

Depois de 133 anos, o Liceu de Artes e Ofícios da Bahia foi fechado pelo conselho da instituição em função da má gestão da entidade na última década de 2000. Após o fechamento, em 2007, o conselho do Liceu cedeu o solar e seus anexos ao Estado, via SecultBA/IPAC, através de um termo de comodato, para que enquanto não se resolvam processos trabalhistas e administrativos da instituição, o prédio possa ser utilizado e conservado adequadamente.

“Hoje o solar – e seus anexos – reúne cerca de oito mil metros quadrados incluindo o complexo dos antigos cinemas Liceu e Popular, a ala da ex-rádio Excelsior e das repartições da prefeitura municipal, e o Solar do Saldanha”, conclui o diretor do IPAC. Ao todo, são quatro pavimentos e cerca 20 cômodos de várias dimensões, capela, salão de exposição e auditório.

Atualmente, a sede da Funceb está no Pelourinho, ocupando três casarões do IPAC na Rua Gregório de Mattos, o nº 29 que sedia o gabinete e diretorias, e os números 31 e 43 utilizados para outros setores. Já o nº10 da Rua Frei Vicente está ocupado por assessoria da Funceb. Cerca de 500 funcionários da fundação devem se mudar para o Paço do Saldanha.

HISTÓRICO

O Paço do Saldanha foi construído depois que o coronel Guedes de Brito comprou, em 1699, casas térreas então ali existentes, de propriedade da Ordem 3ª do Carmo, derrubando-as para erigir o solar. Em 1706, a casa passa a sua viúva Isabel Brito e sua filha Joana da Silva Caldeira Pimentel Guedes de Brito, casada depois com Manuel de Saldanha da Gama, filho do vice-rei da Índia, sobrenome que batizou o solar como o conhecemos hoje, Paço do Saldanha. Em 1786 a edificação passa à Santa Casa de Misericórdia e em 1791 é comprada pelo capitão-mor Simão Álvares da Silva. Já em 1856, o casarão passa para José Joaquim de Carvalho e Albuquerque, 2º Barão de Pirajá, e em 1874 é comprado para a instalação do Liceu de Artes e Ofícios que fica com a sua utilização até o ano de 2007. A partir de 1874 a edificação sofre várias modificações e, em 1968, um incêndio. Apesar das descaracterizações é considerada uma das mais belas construções do CHS.

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