Anunciado resultado do edital Quarta que Dança 2011

Com recorde de inscrições e novidades, 13ª edição do projeto da FUNCEB vai apoiar 15 trabalhos em dança na Bahia, num investimento total de R$ 100 mil

Foi publicado no sábado, 13 de agosto, o resultado do edital da 13ª edição do Quarta que Dança, projeto promovido pela Fundação Cultural do Estado da Bahia (FUNCEB), unidade da Secretaria de Cultura do Estado da Bahia (SecultBA), que visa à difusão da dança em suas diversas vertentes e ao estímulo à pesquisa e à produção coreográficas na Bahia. Com inscrições realizadas de 16 de junho a 1º de agosto, foram apresentadas 99 propostas – um recorde na história do certame –, das quais 15 foram selecionadas. Os trabalhos são de temática livre e, como previsto em minuta, dividem-se em quatro formatos: Espetáculos, Intervenções Urbanas, projetos de Dança de Rua e Trabalhos de Dança em Processo de Criação. A lista com os selecionados está disponível aqui.

O projeto Quarta que Dança surgiu em 1998 e, ao longo destes anos, proporcionou a montagem de mais de 150 apresentações de variados grupos e propostas artísticas. Em 2007, as inscrições passaram a ser feitas exclusivamente via edital, em duas categorias – além dos tradicionais Espetáculos de Dança, deu-se espaço para os Trabalhos em Processo de Criação, com objetivo de estimular o debate em torno dos processos construtivos. No ano seguinte, 2008, as outras duas categorias foram criadas: Intervenção Urbana e Dança de Rua, ampliando as possibilidades estéticas abrigadas e levando o Quarta que Dança também para as ruas da cidade.

“Vejo o Quarta que Dança como um panorama que permite observarmos uma parcela significativa da produção baiana de Dança, o surgimento de novos criadores e a consolidação de grupos e artistas com uma trajetória mais robusta. O papel do poder público no projeto é fundamental na medida em que garante o apoio à uma produção de Dança de caráter investigativo e que se permite romper paradigmas estéticos e de criação”, afirma Alexandre Molina, coordenador de Dança da FUNCEB.

A edição 2011 do edital trouxe novidades. Dentre elas, está o fato de que cada proposta selecionada irá realizar três apresentações, com valor de ingresso de R$ 2 (inteira), em espaços culturais diferentes. Antes, era uma única apresentação na Sala do Coro do TCA ou no Espaço Xisto Bahia, quando do início do projeto. Com a mudança, o Quarta que Dança diversifica seus circuitos de atuação, ampliando o alcance e a acessibilidade de públicos distintos. Também com isso, o cachê ofertado aos contemplados cresce, fazendo o total de recursos financeiros disponibilizado aumentar – serão R$ 100 mil assim distribuídos: sete Espetáculos (cada um recebendo cachê total de R$ 8 mil); duas Intervenções Urbanas e dois trabalhos de Dança de Rua (cada um com cachê total de R$ 6 mil); e quatro Trabalhos em Processo de Criação (cada um com cachê total de R$ 5 mil). Na edição 2009/2010, o montante concedido foi de R$ 87 mil; em 2008, foi de R$ 76 mil.

Assim, os projetos provenientes de Salvador serão escalados para apresentações não apenas na Sala do Coro do TCA, mas também no Cine-Teatro Plataforma, Cine-Teatro Solar Boa Vista ou ainda no Espaço Xisto Bahia, casa que acolheu o Quarta que Dança desde sua criação; já a proposta selecionada do interior do estado (o espetáculo “Aluga-se um Coração”, de Juazeiro) fará uma apresentação em um destes centros localizados na capital e as outras duas, em dois municípios distintos do seu Território de Identidade de origem. Já os trabalhos de intervenção urbana e de dança de rua acontecem ao ar livre, durante o dia, em espaços públicos da capital. As apresentações vão ocorrer entre 14 de setembro e 14 de dezembro deste ano, em todas as quartas-feiras do período.

Trabalhos em Processos de Criação – Neste ano, além do recorde de inscrições em relação a todas as edições do projeto, destaca-se também a procura expressiva de Trabalhos em Processos de Criação, categoria com maior número de inscritos: foram 52 propostas nesta modalidade, 39 para Espetáculo, cinco para Intervenção Urbana e três para Dança de Rua. “Isso pode significar um grande interesse dos artistas baianos em desenvolver propostas de pesquisa artística em dança. Tivemos, em 2007, um mecanismo de fomento específico para este fim e, em 2010, o Edital de Apoio a Grupos Artísticos, que contemplou seis propostas de dança, oferecendo a possibilidade do desenvolvimento de pesquisas. Estes dados indicam que devemos implementar incentivos a este segmento”, considera Alexandre Molina.

Para esta modalidade, há uma outra novidade da edição 2011: a inclusão de um profissional para acompanhamento das propostas. Cada proponente selecionado nesta categoria indicou um nome para acompanhamento de seu processo de pesquisa, que também participará das apresentações públicas do projeto. Isto vem garantir uma maior qualificação no desenvolvimento das propostas, ao mesmo tempo em que amplia as possibilidades de troca geradas pelo Quarta que Dança.

Comissão de Seleção – Para formar a Comissão de Seleção do Quarta que Dança, foram consultados diferentes colegiados representativos dos profissionais de dança da Bahia, tais como Fórum de Dança da Bahia, Sindicato dos Artistas e Técnicos, Associação de Escolas de Dança, Frente de Descentralização e Difusão de Ações/Produções e Informações da Dança na Bahia e Movimento Dança Bahia – este último formado por profissionais que atuam no interior do estado.

Os membros da Comissão foram Jorge Alencar (criador em dança, teatro e audiovisual, além de educador, pesquisador e curador; diretor artístico e fundador do grupo Dimenti e Mestre em Artes Cênicas pelo PPGAC-UFBA), Robertha Carneiro (coreógrafa e professora de dança, estudou na Tanz Probebune Marameo, na Alemanha; é diretora e coreógrafa da Ópera do Descobrimento em Porto Seguro e diretora do Grupo de Dança Bailarico, em Santa Cruz Cabrália) e Joffre Santos (coreógrafo, bailarino e professor de dança, ex-integrante do Balé Teatro Castro Alves).

“Havia muitos projetos interessantes apresentados. Os contemplados representam o que está sendo produzido em Dança na Bahia porque prezamos por uma seleção democrática, de propostas diferenciadas e diversidade de expressões. Creio que o resultado é representativo. Há gente jovem começando, mistura de classes, trabalhos de gente que não está à luz das escolas oficiais de Dança, como da FUNCEB e da UFBA. Infelizmente, a Dança e o Teatro não têm na mídia o mesmo espaço que a Música, então esta é uma oportunidade de expansão proveitosa; é preciso abrir este leque na cidade e dar visibilidade a estes artistas, que também poderão se conhecer, interagir”, afirma Joffre Santos. “As propostas também mostram o grande interesse dos artistas em realizar trabalhos de pesquisa, categoria que deveria ser incluída no edital. Também esperamos por mais projetos oriundos do interior e da periferia”, pontua.

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