Quarta que Dança 2011 apresenta uma intervenção urbana e dois espetáculos na próxima quarta-feira (21/9)

Depois da estreia na noite do dia 14 de setembro, com o espetáculo Mercado Livre, do Núcleo B – Dança Contemporânea, a 13ª edição do Quarta que Dança, projeto da Fundação Cultural do Estado da Bahia (FUNCEB), unidade da Secretaria de Cultura do Estado da Bahia (SecultBA), apresenta três projetos em Salvador na sua segunda semana de realização: na quarta-feira, 21 de setembro, a intervenção urbana Gráfico Planificado da Violência, de Fernando Lopes, ocupa as ruas do entorno do Centro Cultural Plataforma, às 9 horas da manhã, gratuitamente. Já os espetáculos Single, de Leo França, no palco Sala do Coro do TCA, e Trilhas Urbanas, de Leandro de Oliveira e João Rafael Neto, no Cine-Teatro Solar Boa Vista, são encenados às 20 horas, com ingresso a R$ 2 (inteira).

Mais informações: www.fundacaocultural.ba.gov.br/quartaquedanca2011

Gráfico Planificado da Violência, intervenção urbana de Fernando Lopes
Sinopse: Quantos corpos foram ao chão de Salvador sem vida esse ano? Que corpos invisíveis são esses que estão no nosso meio, modificando a maneira como entendemos a segurança em Salvador e nos colocando de cara com nossos medos? “Gráfico Planificado da Violência” surge destes sentimentos de apreensão e medo, e dos crimes e mortes que têm assolado Salvador nos últimos anos. Sob a concepção e direção de Fernando Lopes e apoio da Cia. Obcena de Artes e parceiros, o trabalho pretende “planificar” o índice de assassinatos ocorridos em Salvador no primeiro semestre de 2011, pintando marcações de corpo nas ruas de Salvador, interferindo assim no espaço urbano e na maneira como a população experiencia as ruas. Além de Fernando Lopes, a intervenção tem os performers Aline Vallim, Begoña Cruz, Camila Correia, Dayse Cardoso, Inaê Moreira, João Weber, Jossana Gamba, Luna Dias, Roberta Rox e Thiago Enoque.

Apresentações (9 horas; Gratuitas):
21/9: Ruas do entorno do Centro Cultural Plataforma
28/9: Ruas do entorno do Largo do Campo Grande
5/10: Ruas do entorno do Cine-Teatro Solar Boa Vista

Single, espetáculo de Leo França
Sinopse: O single pode ser uma “música de trabalho”, uma versão remixada, experimentação radical, faixa exclusiva, apresentada individualmente ou em álbum, uma canção viável comercialmente… Nas versões de single aqui apresentadas, compõe-se cada objeto performativo ou coreografia objeto como uma canção autônoma. As possíveis conexões ou circuitos ativados por esses singles performativos não buscam unificar um espetáculo/álbum, mas antes produzir uma dispersão criativa que constrói um universo poético urbano-oceânico. “Single” faz parte de uma série de performances (corporais, textuais, videográficas…) criadas com os muros e ferros de proteção comuns nos domicílios de Salvador. A partir desses elementos do tecido urbano soteropolitano, são desenvolvidas estratégias de camuflagem, confundindo o corpo à geografia da cidade para atravessar fronteiras estético/políticas. Nessa dança-camuflada, objetos sólidos e violentos ganham fluidez e movimentação como numa maré, desorientando suas referências. Criado, concebido e performado por Leo França, também responsável pelos objetos coreográficos, o espetáculo tem como Clara Trigo, Ellen Mello e Neto Machado como colaboradores.

Apresentações (20 horas; R$ 2 – inteira):
21/9: Sala do Coro do TCA
28/9: Cine-Teatro Solar Boa Vista
5/10: Centro Cultural Plataforma

Trilhas Urbanas, espetáculo de Leandro de Oliveira e João Rafael Neto
Sinopse: No espetáculo “Trilhas Urbanas”, dois dançarinos-criadores, Leandro de Oliveira e João Rafael Neto, se valem de técnicas de “Le Parkour” para compor e executar a coreografia numa exploração espacial de um cenário mutante que remete ao ambiente urbano, tanto em seus aspectos físicos quanto sociais. Para isso, são trazidos ao palco materiais que são comumente encontrados nas ruas de Salvador e em qualquer outra metrópole. Com sua coreografia e movimentos, os dançarinos propõem uma reflexão sobre esse espaço urbano que nos cerca cotidianamente e sobre as intensas mudanças que muitas vezes nos passam despercebidas. Crescimento desordenado, verticalização da cidade, surgimento de novas construções, função social da cidade, direito a um ambiente sustentável, equidade social e os atuais princípios do Plano Diretor de Desenvolvimento Urbano (PDDU) de Salvador são alguns dos temas incorporados, de alguma forma, à criação e interpretação do espetáculo “Trilhas Urbanas”, que tem Bárbara Barbará como assistente de coreografia, Marcos Dede na iluminação e Caio Andrade e Vanie Sena na produção.

Apresentações (20 horas; R$ 2 – inteira):
21/9: Cine-Teatro Solar Boa Vista
28/9: Centro Cultural Plataforma
26/10: Espaço Xisto Bahia

Quarta que Dança 2011
De 14 de setembro a 14 de dezembro, o Quarta que Dança promove apresentações de um total de 15 trabalhos em todas as quartas-feiras, em espaços da capital (Espaço Xisto Bahia, Centro Cultural Plataforma, Cine-Teatro Solar Boa Vista, Sala do Coro do TCA, ruas, praças e praias da cidade), de Juazeiro (Centro de Cultura João Gilberto) e Paulo Afonso (Centro Cultural Lindinalva Cabral). Os projetos que compõem a programação foram selecionados através do edital Quarta que Dança 2011, da FUNCEB/SecultBA, que contabilizou 99 propostas inscritas – um recorde na história do certame.

Como grande novidade da edição deste ano, está o fato de que cada proposta selecionada irá realizar três apresentações, em locais diferentes. Antes, era uma única apresentação na Sala do Coro do TCA ou no Espaço Xisto Bahia, quando do início do projeto. Com a mudança, o Quarta que Dança diversifica seus circuitos de atuação, ampliando o alcance e a acessibilidade de públicos distintos. Também com isso, o cachê ofertado aos contemplados cresce, fazendo o total de recursos financeiros disponibilizado aumentar – serão R$ 100 mil assim distribuídos: sete Espetáculos (cada um recebendo cachê total de R$ 8 mil); duas Intervenções Urbanas e dois trabalhos de Dança de Rua (cada um com cachê total de R$ 6 mil); e quatro Trabalhos em Processo de Criação (cada um com cachê total de R$ 5 mil). Na edição 2009/2010, o montante concedido foi de R$ 87 mil; em 2008, foi de R$ 76 mil.

Assim, durante três meses, todas as quartas-feiras serão ocupadas por sessões do Quarta que Dança, que têm valor de ingresso de R$ 2 (inteira), quando nos palcos, e de acesso gratuito, quando em espaços públicos. E não apenas Salvador está no roteiro: a proposta selecionada do interior do estado (o espetáculo Aluga-se um Coração, de Juazeiro) fará apresentações em Paulo Afonso (16 de novembro) e Juazeiro (23 de novembro), chegando à capital em 14 de dezembro para ocupar a Sala do Coro do TCA.

O projeto Quarta que Dança, que visa à difusão da dança em suas diversas vertentes e ao estímulo à pesquisa e à produção coreográficas na Bahia, surgiu em 1998 e, ao longo destes anos, proporcionou a montagem de mais de 150 apresentações de variados grupos e propostas artísticas. Em 2007, as inscrições passaram a ser feitas exclusivamente via edital, em duas categorias – além dos tradicionais Espetáculos de Dança, deu-se espaço para os Trabalhos em Processo de Criação, com objetivo de estimular o debate em torno dos processos construtivos. No ano seguinte, 2008, as outras duas categorias foram criadas: Intervenção Urbana e Dança de Rua, ampliando as possibilidades estéticas abrigadas e levando o Quarta que Dança também para as ruas da cidade.

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