Espetáculo, Intervenção Urbana e Trabalhos em Processo de Criação fazem o Quarta que Dança de 19 de outubro

Engenho Velho de Brotas, Paripe e Campo Grande estão no roteiro da programação

 

Em 19 de outubro, o Quarta que Dança 2011 faz mais uma mostra da multiplicidade de expressões, formatos e temáticas dos trabalhos que compõem sua programação – que, além disso, coloca em prática a proposta de diversificação dos espaços alcançados e ampliação do acesso do público a apresentações de Dança. O Espetáculo Mercado Livre, do Núcleo B – Dança Contemporânea, faz sua terceira e última aparição no projeto, no Cine-Teatro Solar Boa Vista (Engenho Velho de Brotas), às 20 horas, com ingresso a R$ 2 (inteira). A Intervenção Urbana Ah, Se Eu Fosse Marilyn!, de Edu O., ocupa a Praia de Paripe, às 16 horas, numa performance aberta ao público. Já a Sala do Coro do TCA é palco para dois Trabalhos em Processo de Criação, que se apresentam em sequência, com início às 20 horas e ingresso também a R$ 2 (inteira): CBF – Cerveja, Bunda e Futebol, do Núcleo VAGAPARA, e Comborami, de Daniel Lisboa, Isaura Tupiniquim e Tiago Ribeiro.

O Quarta que Dança deste ano, em 13ª edição, revelou uma procura expressiva de propostas de Trabalhos em Processo de Criação, categoria com maior número de inscritos: foram 52 projetos nesta modalidade, 39 para Espetáculo, cinco para Intervenção Urbana e três para Dança de Rua. “Isso pode significar um grande interesse dos artistas baianos em desenvolver propostas de pesquisa artística em dança”, considera Alexandre Molina, coordenador de Dança da FUNCEB. Para esta modalidade, há uma novidade da edição 2011: a inclusão de um profissional para acompanhamento das propostas. Cada proponente selecionado nesta categoria indicou um nome para acompanhamento de seu processo de pesquisa, que também participará das apresentações do projeto. Isto vem garantir uma maior qualificação no desenvolvimento dos trabalhos, ao mesmo tempo em que amplia as possibilidades de troca geradas pelo Quarta que Dança – e todo o público poderá acompanhar o passo a passo desta fase criativa.

O Quarta que Dança é um projeto da Fundação Cultural do Estado da Bahia (FUNCEB), unidade da Secretaria de Cultura do Estado da Bahia (SecultBA).

Mais informações: www.fundacaocultural.ba.gov.br/quartaquedanca2011

Mercado Livre, espetáculo do Núcleo B – Dança Contemporânea
Sinopse: Mercado Livre é um espetáculo que usa as linguagens da performance e da dança contemporânea para problematizar a arte e o corpo como objetos de consumo, através da ludicidade, improvisação e interação com o público. O espectador é agente de configuração, ou seja, agente construtor da obra artística, corresponsável pelo desenvolvimento da dança. Em Mercado Livre, o espectador “compra” um minuto de dança pagando qualquer coisa por ele. Pode-se escolher então o figurino, a trilha sonora e o bailarino que dançará pelo minuto “pago”. Fundado em 2007 por Bel Sousa e Roberto Basílio, diretores e intérpretes do espetáculo, o Núcleo B – Dança Contemporânea vem orientando suas ações para o trânsito entre os ambientes acadêmicos e artísticos e para pesquisas em dança com mediação tecnológica.

Última apresentação (20 horas; R$ 2 – inteira):
19/10: Cine-Teatro Solar Boa Vista

Ah, Se Eu Fosse Marilyn!, intervenção urbana de Edu O.
Sinopse: Ah, Se Eu Fosse Marilyn! é uma proposta artística de intervenção urbana, criada por Edu O. em parceria com a Cia Dezeo-Ito, a ser realizada em praias de Salvador, que pretende refletir sobre o que nos tornamos com a passagem dos anos. Aquilo que chamamos de “chegar lá” e corresponde aos desejos antigos. Quando sabemos que chegamos lá? Quando alcançamos os sonhos? Um homem travestido de Marilyn Monroe e assim como Winnie, personagem de Samuel Beckett em Dias Felizes, enterrado até a cintura, consumido pela areia, lendo um livro e fazendo ações cotidianas, do dia-a-dia doméstico, como escovar dentes, pentear cabelos, se maquiar. Olha-se no espelho e não vê aquele que pretendia ser, mas gosta do que é. Cabelos falsos, loiros, boca borrada, livro na mão. Tornou-se aquilo que consumiu, absorveu.

Apresentações (16 horas; Gratuitas):
19/10: Praia de Paripe
26/10: Praia de Ondina
2/11: Praia do Porto da Barra

CBF – Cerveja, Bunda e Futebol, trabalho em processo de criação do Núcleo VAGAPARA
Sinopse: “CBF – Cerveja, Bunda e Futebol” é um projeto que vem discutir, principalmente, questões de identidade cultural. O que me torna brasileiro? Como o olhar outro diz quem eu sou? Qual o papel das grandes instituições publicitárias na permanência de padrões que reduzem o conceito de identidade a um rótulo “Paixão Nacional”? Assim, esta obra relaciona dança e publicidade com o objetivo de sublinhar eventos, apontar clichês e promover erros na matriz. Isso por acreditar que boa parcela da permanência desse paradigma enquanto “verdade socialmente estabelecida” se dá pela repetição de padrões que resultam em hábitos. Perguntamos: Quais os interesses políticos veiculados nessa informação? Como se dão os procedimentos de aquisição de hábitos sociais? É possível identificar relações de poder através da veiculação e repetição dessas informações por parte da mídia? O trabalho tem interpretação e criação de Eros Ferreira, Jorge Oliveira e Lucas Valentim, este último também responsável pela direção e produção.

Apresentações (20 horas; R$ 2 – inteira):
19/10: Sala do Coro do TCA
9/11: Centro Cultural Plataforma
7/12: Cine-Teatro Solar Boa Vista

Comborami, trabalho em processo de criação de Daniel Lisboa, Isaura Tupiniquim e Tiago Ribeiro
Sinopse: Uma imagem, um sinal, um ruído, o som da imagem (orquestrado) tocado pelos corpos. Movimentos que modificam imagem e som. Imagem e som que estimulam movimentos. Simbiose entre corpo e máquina, um como prótese do outro, expandidos, desconfigurados, ressignificados. Abismos, rachaduras, terremotos corpovisuais, tempestades tecnológicas. Corpo Imagético Sonoro. Corpo é imagem e som. Um corpo que dança, dançando, é imagem e som. O que não seria imagem e som? Quais as possíveis maneiras de se compor, no mundo, imagem e som através da dança? A condição primordial desse projeto é a descoberta, e o desejo pelo encontro que faz desse tempo um tempo que produz imagemsommovimento para além da estética, um sentido, para além da política, um discurso despretensioso do entendimento objetivo, mas pretensioso de sensações que desloquem a percepção do público, que interaja na superfície profunda da imagem encontrando-se com o abstrato e mergulhando nele, encontrando ou não as respostas para o porquê de tal configuração artística em dança.

Apresentações (20 horas; R$ 2 – inteira):
19/10: Sala do Coro do TCA
9/11: Centro Cultural Plataforma
7/12: Cine-Teatro Solar Boa Vista

Quarta que Dança 2011
De 14 de setembro a 14 de dezembro, o Quarta que Dança promove apresentações de um total de 15 trabalhos em todas as quartas-feiras, em espaços da capital (Espaço Xisto Bahia, Centro Cultural Plataforma, Cine-Teatro Solar Boa Vista, Sala do Coro do TCA, ruas, praças e praias da cidade), de Juazeiro (Centro de Cultura João Gilberto) e Paulo Afonso (Centro Cultural Lindinalva Cabral). Os projetos que compõem a programação foram selecionados através do edital Quarta que Dança 2011, da FUNCEB/SecultBA, que contabilizou 99 propostas inscritas – um recorde na história do certame.

Como grande novidade da edição deste ano, está o fato de que cada proposta selecionada irá realizar três apresentações, em locais diferentes. Antes, era uma única apresentação na Sala do Coro do TCA ou no Espaço Xisto Bahia, quando do início do projeto. Com a mudança, o Quarta que Dança diversifica seus circuitos de atuação, ampliando o alcance e a acessibilidade de públicos distintos. Também com isso, o cachê ofertado aos contemplados cresce, fazendo o total de recursos financeiros disponibilizado aumentar – serão R$ 100 mil assim distribuídos: sete Espetáculos (cada um recebendo cachê total de R$ 8 mil); duas Intervenções Urbanas e dois trabalhos de Dança de Rua (cada um com cachê total de R$ 6 mil); e quatro Trabalhos em Processo de Criação (cada um com cachê total de R$ 5 mil). Na edição 2009/2010, o montante concedido foi de R$ 87 mil; em 2008, foi de R$ 76 mil.

Assim, durante três meses, todas as quartas-feiras serão ocupadas por sessões do Quarta que Dança, que têm valor de ingresso de R$ 2 (inteira), quando nos palcos, e de acesso gratuito, quando em espaços públicos. E não apenas Salvador está no roteiro: a proposta selecionada do interior do estado (o espetáculo Aluga-se um Coração, de Juazeiro) fará apresentações em Paulo Afonso (16 de novembro) e Juazeiro (23 de novembro), chegando à capital em 14 de dezembro para ocupar a Sala do Coro do TCA.

O projeto Quarta que Dança, que visa à difusão da dança em suas diversas vertentes e ao estímulo à pesquisa e à produção coreográficas na Bahia, surgiu em 1998 e, ao longo destes anos, proporcionou a montagem de mais de 150 apresentações de variados grupos e propostas artísticas. Em 2007, as inscrições passaram a ser feitas exclusivamente via edital, em duas categorias – além dos tradicionais Espetáculos de Dança, deu-se espaço para os Trabalhos em Processo de Criação, com objetivo de estimular o debate em torno dos processos construtivos. No ano seguinte, 2008, as outras duas categorias foram criadas: Intervenção Urbana e Dança de Rua, ampliando as possibilidades estéticas abrigadas e levando o Quarta que Dança também para as ruas da cidade.

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