Mais uma quarta-feira com Quarta que Dança em Salvador

Dança de Rua e Trabalhos em Processo de Criação são apresentados neste 9 de novembro

Completando dois meses de apresentações de um total de 15 projetos que se revezam numa extensa programação, o Quarta que Dança 2011 promove mais um dia de dança na capital baiana. No próximo dia 9 de novembro (quarta-feira), a Dança de Rua Bolero de Quatro, de João Rafael Neto e Luiz de Abreu, ocupa a Praça Mirante dos Aflitos (2 de Julho), às 16 horas, numa performance gratuita. À noite, às 20 horas, o Centro Cultural Plataforma recebe dois Trabalhos em Processo de Criação, que se apresentam em sequência, com ingresso único a R$ 2 (inteira): CBF – Cerveja, Bunda e Futebol, do Núcleo VAGAPARA, e Comborami, de Daniel Lisboa, Isaura Tupiniquim e Tiago Ribeiro.

Os Trabalhos em Processo de Criação possibilitam ao público acompanhar o processo criativo de coreografias em desenvolvimento, e aos artistas, a oportunidade de experimentação e trocas em busca de qualificar o seu projeto. Para tornar isto mais efetivo, o Quarta que Dança deste ano, em 13ª edição, trouxe uma novidade para a modalidade: a inclusão de um profissional para acompanhamento das propostas. Cada proponente selecionado na categoria indicou um nome para acompanhamento de seu processo de pesquisa, que também participa das apresentações.

O Quarta que Dança é um projeto da Fundação Cultural do Estado da Bahia (FUNCEB), unidade da Secretaria de Cultura do Estado da Bahia (SecultBA).

Mais informações: www.fundacaocultural.ba.gov.br/quartaquedanca2011

Bolero de 4, dança de rua de João Rafael Neto e Luiz de Abreu
Sinopse: O espetáculo Bolero de 4 faz um diálogo entre a dança contemporânea e as técnicas esportivas da bicicleta BMX, no qual o dançarino-performer poderá expressar sentimentos, construir discursos e diálogos numa linguagem própria criada em cena. O bolero dançado sobre duas rodas é uma dança circular proposta para praças urbanas. Sua trilha sonora, o Bolero de Ravel, de Maurice Ravel, compõe dramaturgicamente a obra desvendando aos transeuntes do local as relações estabelecidas de parceria, dueto ou “pax-de-deux”, entre os corpos na cena, envolvendo e conduzindo o público numa “viagem aos altos e baixos” desta relação íntima de amor e conflito. A mistura estética dos esportes de BMX Street e Le Parkou com a dança propõe para praças urbanas de Salvador uma obra diferenciada e dinâmica que desloca o esporte para o ambiente artístico e vice-versa, criando outros significados e propósitos na cena de rua. Direção de Luiz de Abreu, tendo como intérprete-criador João Rafael Neto.
Apresentações (16 horas; Gratuitas):
9/11: Praça Mirante dos Aflitos, no 2 de Julho
16/11: Praça 2 de Julho, no Campo Grande

CBF – Cerveja, Bunda e Futebol, trabalho em processo de criação do Núcleo VAGAPARA
Sinopse: “CBF – Cerveja, Bunda e Futebol” é um projeto que vem discutir, principalmente, questões de identidade cultural. O que me torna brasileiro? Como o olhar outro diz quem eu sou? Qual o papel das grandes instituições publicitárias na permanência de padrões que reduzem o conceito de identidade a um rótulo “Paixão Nacional”? Assim, esta obra relaciona dança e publicidade com o objetivo de sublinhar eventos, apontar clichês e promover erros na matriz. Isso por acreditar que boa parcela da permanência desse paradigma enquanto “verdade socialmente estabelecida” se dá pela repetição de padrões que resultam em hábitos. Perguntamos: Quais os interesses políticos veiculados nessa informação? Como se dão os procedimentos de aquisição de hábitos sociais? É possível identificar relações de poder através da veiculação e repetição dessas informações por parte da mídia? O trabalho tem interpretação e criação de Eros Ferreira, Jorge Oliveira e Lucas Valentim, este último também responsável pela direção e produção.
Apresentações (20 horas; R$ 2 – inteira):
9/11: Centro Cultural Plataforma
7/12: Cine-Teatro Solar Boa Vista

Comborami, trabalho em processo de criação de Daniel Lisboa, Isaura Tupiniquim e Tiago Ribeiro
Sinopse: Uma imagem, um sinal, um ruído, o som da imagem (orquestrado) tocado pelos corpos. Movimentos que modificam imagem e som. Imagem e som que estimulam movimentos. Simbiose entre corpo e máquina, um como prótese do outro, expandidos, desconfigurados, ressignificados. Abismos, rachaduras, terremotos corpovisuais, tempestades tecnológicas. Corpo Imagético Sonoro. Corpo é imagem e som. Um corpo que dança, dançando, é imagem e som. O que não seria imagem e som? Quais as possíveis maneiras de se compor, no mundo, imagem e som através da dança? A condição primordial desse projeto é a descoberta, e o desejo pelo encontro que faz desse tempo um tempo que produz imagemsommovimento para além da estética, um sentido, para além da política, um discurso despretensioso do entendimento objetivo, mas pretensioso de sensações que desloquem a percepção do público, que interaja na superfície profunda da imagem encontrando-se com o abstrato e mergulhando nele, encontrando ou não as respostas para o porquê de tal configuração artística em dança.
Apresentações (20 horas; R$ 2 – inteira):
9/11: Centro Cultural Plataforma
7/12: Cine-Teatro Solar Boa Vista

Quarta que Dança 2011
De 14 de setembro a 14 de dezembro, o Quarta que Dança promove apresentações de um total de 15 trabalhos em todas as quartas-feiras, em espaços da capital (Espaço Xisto Bahia, Centro Cultural Plataforma, Cine-Teatro Solar Boa Vista, Sala do Coro do TCA, ruas, praças e praias da cidade), de Juazeiro (Centro de Cultura João Gilberto) e Paulo Afonso (Centro Cultural Lindinalva Cabral). Os projetos que compõem a programação foram selecionados através do edital Quarta que Dança 2011, da FUNCEB/SecultBA, que contabilizou 99 propostas inscritas – um recorde na história do certame.

Como grande novidade da edição deste ano, está o fato de que cada proposta selecionada irá realizar três apresentações, em locais diferentes. Antes, era uma única apresentação na Sala do Coro do TCA ou no Espaço Xisto Bahia, quando do início do projeto. Com a mudança, o Quarta que Dança diversifica seus circuitos de atuação, ampliando o alcance e a acessibilidade de públicos distintos. Também com isso, o cachê ofertado aos contemplados cresce, fazendo o total de recursos financeiros disponibilizado aumentar – serão R$ 100 mil assim distribuídos: sete Espetáculos (cada um recebendo cachê total de R$ 8 mil); duas Intervenções Urbanas e dois trabalhos de Dança de Rua (cada um com cachê total de R$ 6 mil); e quatro Trabalhos em Processo de Criação (cada um com cachê total de R$ 5 mil). Na edição 2009/2010, o montante concedido foi de R$ 87 mil; em 2008, foi de R$ 76 mil.

Assim, durante três meses, todas as quartas-feiras serão ocupadas por sessões do Quarta que Dança, que têm valor de ingresso de R$ 2 (inteira), quando nos palcos, e de acesso gratuito, quando em espaços públicos. E não apenas Salvador está no roteiro: a proposta selecionada do interior do estado (o espetáculo Aluga-se um Coração, de Juazeiro) fará apresentações em Paulo Afonso (16 de novembro) e Juazeiro (23 de novembro), chegando à capital em 14 de dezembro para ocupar a Sala do Coro do TCA.

O projeto Quarta que Dança, que visa à difusão da dança em suas diversas vertentes e ao estímulo à pesquisa e à produção coreográficas na Bahia, surgiu em 1998 e, ao longo destes anos, proporcionou a montagem de mais de 150 apresentações de variados grupos e propostas artísticas. Em 2007, as inscrições passaram a ser feitas exclusivamente via edital, em duas categorias – além dos tradicionais Espetáculos de Dança, deu-se espaço para os Trabalhos em Processo de Criação, com objetivo de estimular o debate em torno dos processos construtivos. No ano seguinte, 2008, as outras duas categorias foram criadas: Intervenção Urbana e Dança de Rua, ampliando as possibilidades estéticas abrigadas e levando o Quarta que Dança também para as ruas da cidade.

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