Penúltima semana do Quarta que Dança 2011

Um espetáculo e dois trabalhos em processo de criação serão encenados nesta quarta-feira (7/12)

Com apresentações que vêm ocorrendo desde 14 de setembro, em todas as quartas-feiras, a 13ª edição do Quarta que Dança chega à penúltima semana em cartaz: nesta quarta-feira, 7 de dezembro, três projetos são encenados em Salvador. O Cine-Teatro Solar Boa Vista (Engenho Velho de Brotas) recebe dois Trabalhos em Processo de Criação, que se apresentam em sequência, a partir das 20 horas, com ingresso único a R$ 2 (inteira): CBF – Cerveja, Bunda e Futebol, do Núcleo VAGAPARA, e Comborami, de Daniel Lisboa, Isaura Tupiniquim e Tiago Ribeiro. Já o Centro Cultural Plataforma é palco para o espetáculo Sem Título, de Ana Lúcia Oliveira e Fernando Lopes, também às 20 horas e com ingresso a R$ 2 (inteira).

Os Trabalhos em Processo de Criação possibilitam ao público acompanhar o processo criativo de coreografias em desenvolvimento, e aos artistas, a oportunidade de experimentação e trocas em busca de qualificar o seu projeto. Para tornar isto mais efetivo, o Quarta que Dança deste ano, em 13ª edição, trouxe uma novidade para a modalidade: a inclusão de um profissional para acompanhamento das propostas. Cada proponente selecionado na categoria indicou um nome para acompanhamento de seu processo de pesquisa, que também participa das apresentações.

O Quarta que Dança é um projeto da Fundação Cultural do Estado da Bahia (FUNCEB), unidade da Secretaria de Cultura do Estado da Bahia (SecultBA).

Mais informações: www.fundacaocultural.ba.gov.br/quartaquedanca2011

CBF – Cerveja, Bunda e Futebol, trabalho em processo de criação do Núcleo VAGAPARA
Sinopse: “CBF – Cerveja, Bunda e Futebol” é um projeto que vem discutir, principalmente, questões de identidade cultural. O que me torna brasileiro? Como o olhar outro diz quem eu sou? Qual o papel das grandes instituições publicitárias na permanência de padrões que reduzem o conceito de identidade a um rótulo “Paixão Nacional”? Assim, esta obra relaciona dança e publicidade com o objetivo de sublinhar eventos, apontar clichês e promover erros na matriz. Isso por acreditar que boa parcela da permanência desse paradigma enquanto “verdade socialmente estabelecida” se dá pela repetição de padrões que resultam em hábitos. Perguntamos: Quais os interesses políticos veiculados nessa informação? Como se dão os procedimentos de aquisição de hábitos sociais? É possível identificar relações de poder através da veiculação e repetição dessas informações por parte da mídia? O trabalho tem interpretação e criação de Eros Ferreira, Jorge Oliveira e Lucas Valentim, este último também responsável pela direção e produção.
Última apresentação (20 horas; R$ 2 – inteira):
7/12: Cine-Teatro Solar Boa Vista

Comborami, trabalho em processo de criação de Daniel Lisboa, Isaura Tupiniquim e Tiago Ribeiro
Sinopse: Uma imagem, um sinal, um ruído, o som da imagem (orquestrado) tocado pelos corpos. Movimentos que modificam imagem e som. Imagem e som que estimulam movimentos. Simbiose entre corpo e máquina, um como prótese do outro, expandidos, desconfigurados, ressignificados. Abismos, rachaduras, terremotos corpovisuais, tempestades tecnológicas. Corpo Imagético Sonoro. Corpo é imagem e som. Um corpo que dança, dançando, é imagem e som. O que não seria imagem e som? Quais as possíveis maneiras de se compor, no mundo, imagem e som através da dança? A condição primordial desse projeto é a descoberta, e o desejo pelo encontro que faz desse tempo um tempo que produz imagemsommovimento para além da estética, um sentido, para além da política, um discurso despretensioso do entendimento objetivo, mas pretensioso de sensações que desloquem a percepção do público, que interaja na superfície profunda da imagem encontrando-se com o abstrato e mergulhando nele, encontrando ou não as respostas para o porquê de tal configuração artística em dança.
Última apresentação (20 horas; R$ 2 – inteira):
7/12: Cine-Teatro Solar Boa Vista

Sem Título, espetáculo de Ana Lúcia Oliveira e Fernando Lopes
Sinopse: Que danças surgem de nossas histórias? Que títulos damos à nossa vida? A partir do desejo de retomar seus caminhos em dança, Ana Lúcia Oliveira, sob direção de Fernando Lopes, utiliza de sua vida enquanto universo poético para criação de Sem Título, um trabalho em que suas lembranças e memórias, medos e desejos servem de motivadores para danças efêmeras, pequenas improvisações que existem pelo momento que têm que existir, deixando apenas rastros de sua existência.
Apresentações (20 horas; R$ 2 – inteira):
7/12: Centro Cultural Plataforma
14/12: Sala do Coro do TCA

Quarta que Dança 2011
De 14 de setembro a 14 de dezembro, o Quarta que Dança promove apresentações de um total de 15 trabalhos em todas as quartas-feiras, em espaços da capital (Espaço Xisto Bahia, Centro Cultural Plataforma, Cine-Teatro Solar Boa Vista, Sala do Coro do TCA, ruas, praças e praias da cidade), de Juazeiro (Centro de Cultura João Gilberto) e Paulo Afonso (Centro Cultural Lindinalva Cabral). Os projetos que compõem a programação foram selecionados através do edital Quarta que Dança 2011, da FUNCEB/SecultBA, que contabilizou 99 propostas inscritas – um recorde na história do certame.

Como grande novidade da edição deste ano, está o fato de que cada proposta selecionada irá realizar três apresentações, em locais diferentes. Antes, era uma única apresentação na Sala do Coro do TCA ou no Espaço Xisto Bahia, quando do início do projeto. Com a mudança, o Quarta que Dança diversifica seus circuitos de atuação, ampliando o alcance e a acessibilidade de públicos distintos. Também com isso, o cachê ofertado aos contemplados cresce, fazendo o total de recursos financeiros disponibilizado aumentar – serão R$ 100 mil assim distribuídos: sete Espetáculos (cada um recebendo cachê total de R$ 8 mil); duas Intervenções Urbanas e dois trabalhos de Dança de Rua (cada um com cachê total de R$ 6 mil); e quatro Trabalhos em Processo de Criação (cada um com cachê total de R$ 5 mil). Na edição 2009/2010, o montante concedido foi de R$ 87 mil; em 2008, foi de R$ 76 mil.

Assim, durante três meses, todas as quartas-feiras serão ocupadas por sessões do Quarta que Dança, que têm valor de ingresso de R$ 2 (inteira), quando nos palcos, e de acesso gratuito, quando em espaços públicos. E não apenas Salvador está no roteiro: a proposta selecionada do interior do estado (o espetáculo Aluga-se um Coração, de Juazeiro) fará apresentações em Paulo Afonso (16 de novembro) e Juazeiro (23 de novembro), chegando à capital em 14 de dezembro para ocupar a Sala do Coro do TCA.

O projeto Quarta que Dança, que visa à difusão da dança em suas diversas vertentes e ao estímulo à pesquisa e à produção coreográficas na Bahia, surgiu em 1998 e, ao longo destes anos, proporcionou a montagem de mais de 150 apresentações de variados grupos e propostas artísticas. Em 2007, as inscrições passaram a ser feitas exclusivamente via edital, em duas categorias – além dos tradicionais Espetáculos de Dança, deu-se espaço para os Trabalhos em Processo de Criação, com objetivo de estimular o debate em torno dos processos construtivos. No ano seguinte, 2008, as outras duas categorias foram criadas: Intervenção Urbana e Dança de Rua, ampliando as possibilidades estéticas abrigadas e levando o Quarta que Dança também para as ruas da cidade.

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